O surgimento da Rede Social de Relacionamentos pela internet denominada
gabeira43.ning.com em torno da candidatura de Fernando Gabeira à prefeitura do Rio não foi uma surpresa.
Esta rede, que utilizou como ferramenta a “social network”
Ning.com
– criada em 2004 por Marc Andreessen (autor também do navegador
Netscape) e Gina Bianchini – é apenas uma, dentre as dezenas de
ferramentas tecnológicas (plataformas de utilização via internet) que
vem sendo utilizadas diariamente no ambiente da grande rede (a
conhecida world wide web ou para os íntimos www) com o objetivo de
conectar pessoas com interesses comuns.
Mas, afinal, nos dias de hoje, que diabo de expressão é esta? O que
significa esta palavrinha que vem sendo lida e citada em toda parte nas
mais variadas acepções? Trabalhar em rede, rede de relacionamentos,
organizações em rede, gestão em rede, etc. Tudo agora é em rede…
Na sua definição mais básica e rasteira podemos dizer que qualquer
artefato que permita uma comunicação mais ou menos permanente entre um
determinado número de pessoas conforma uma rede. Nesse sentido, a malha
telefônica de uma cidade, é a rede telefônica. Ou antigamente (muito
antigamente) a de trens formava a rede ferroviária. Com o tempo, os
usuários constantes de um determinado tipo de informação passam a ser
chamados também de uma rede. Portanto, a Ordem dos Cavaleiros
Templários configurava de certo modo uma rede, as lojas das Casas
Pernambucanas eram uma rede, e assim por diante.
Invente aí os exemplos que você quiser, até chegar aos emblemáticos
exemplos do segmento das comunicações como a Rede Globo, a Rede Record,
as redes radiofônicas e as redes de jornais e revistas, etc.
Qual é a grande diferença entre elas e o que hoje estamos conhecendo
como Redes Sociais? É que elas recebiam erradamente o nome de redes –
centralizadas, quando toda a informação era enviada apenas de um ponto, ou eram chamadas de redes –
descentralizadas, quando vários pontos intermediários emitiam também informações. Mas, no fundo, elas nunca desenharam realmente uma Rede.
O que configura verdadeiramente uma Rede (faça o desenho e você vai
ver) é a possibilidade de TODOS os pontos (ou nós ou nodos) poderem se
comunicar com TODOS os outros pontos (ou nós ou nodos), em todas as
direções, livremente, ponto a ponto (
P2P), naquilo que se conhece conceitualmente como
Rede Distribuída (conforme desenhada por
Paul Baran para a estrutura de um projeto que se tornaria mais tarde a Internet).

E este foi, sem dúvida, o fator fundamental na topologia da rede Gabeira43.ning.com: como participante conversei com todo mundo
livremente, escrevi textos para o blog, criei fóruns de discussão,
coloquei fotos e vídeos, recebi e enviei mensagens, convidei pessoas e
fui convidado, formei amigos, etc. E acredito que todos, em maior ou
menor grau (sim, há limitações técnicas), atuaram também com essa
liberdade. Todas as opiniões, mesmo as mais delirantes, eram
expressadas livremente. É lógico que havia uma direção, um foco mínimo
para a comunicação, impedindo deste modo que o ruído (para usar um
termo da teoria da comunicação), a estática, fosse muito alta. É lógico
também que não existem redes sem pessoas e elas se agregam por uma
CAUSA.
Então qual é a grande mudança? Me parece que ela está bastante clara: a
possibilidade de todos os cidadãos ouvirem e serem ouvidos e poderem
congregar em torno de suas vozes as mais variadas e múltiplas maneiras
e formas de ação e atuação.
Sem que ninguém tenha que falar por elas.
Há portanto (ao se universalizar o acesso a internet, uma questão
estratégica, doravante), uma atenuação da necessidade da representação
enquanto forma de levar a algum lugar algumas demandas. Estamos falando
portanto (com todo o cuidado que isso requer) de uma diminuição da
democracia representativa em direção a algumas formas de democracia
participativa mais direta.
E ainda mais: Para além de todas as vantagens de se ter informacão, em
grande volume, circulando livremente, a Rede Social permitirá que
várias ações aconteçam, bastando para isso que haja interessados o
suficiente naquela ação (e de novo, com todo o cuidado que isso
requer). O surgimento do
MPD – Movimento pró-Democracia foi um exemplo disso.
Parece que uma nova forma de fazer política na cidade do Rio de Janeiro
está se configurando (no bojo da disseminação da internet) quando se
percebe que as pessoas se sentem melhor e mais entusiasmadas
participando daquilo que lhes agrada, no âmbito de suas relações
geográficas (ou não), em torno de suas questões, ou onde podem
contribuir melhor com sua experiência.
Estamos falando portanto de que “pequenas causas” podem ter um poder de
agregação tão forte quanto os grandes temas políticos. As Redes Sociais
nos permitem perceber que há variadas formas possíveis de atuação e
todas elas podem conviver. Se você não tem como contribuir nas questões
do lixo urbano, pode pensar nas questões da dengue, mas se você tem
contribuições em outras áreas, deve ter em mente que elas são
importantes na mesma e igual medida, pois como disse Gabeira, todas as
caras são bem-vindas pois “expressam uma incrível diversidade e apontam
para uma unidade que não se destrói: a cara do ser humano.”